O que é arteterapia e para quem ela é indicada?

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Danielle Pacini Víspico

Psicóloga clínica e psicopedagoga · CRP 06/50530

Mão segurando um pincel e pintando faixas de aquarela azul sobre papel branco

Arteterapia é o uso de recursos artísticos — como desenho, pintura, colagem e modelagem — como forma de expressão e elaboração emocional dentro de um processo terapêutico. É indicada para todas as idades e não exige nenhum talento artístico: o que importa é o processo, não o resultado.

Nem tudo o que sentimos cabe em palavras. Às vezes, uma cor, uma forma ou um gesto no papel dizem mais do que longas explicações. A arteterapia parte dessa ideia: criar pode abrir caminhos para acessar, organizar e transformar emoções.

Como funciona uma sessão

Uma sessão com práticas de arteterapia costuma ter três momentos:

  1. Acolhimento: uma conversa sobre como a pessoa está e o que deseja trabalhar.
  2. Criação: a proposta de uma atividade com materiais variados, no ritmo de cada um.
  3. Reflexão: olhar juntos para o que foi criado — o que a obra desperta, lembra ou revela.

Não há interpretação pronta nem "certo" ou "errado". O sentido é construído em diálogo, a partir da experiência de quem criou.

Quais materiais são usados?

  • Lápis, giz e canetas coloridas.
  • Tintas, como guache e aquarela.
  • Recortes e colagens com revistas e papéis.
  • Argila e massa de modelar.
  • Fotografias, escrita criativa e outros recursos.

Para quem a arteterapia é indicada?

As práticas em arteterapia podem ser usadas com todos os públicos:

  • Adolescentes, que muitas vezes se expressam com mais facilidade criando do que falando.
  • Adultos em momentos de crise, de transição ou de busca por autoconhecimento.
  • Pessoas idosas, estimulando a expressão, a memória afetiva e a criatividade.
  • Quem vive lutos e perdas, quando a dor ainda não encontra palavras.

Preciso saber desenhar?

Não. Essa é a dúvida mais comum — e a resposta é sempre a mesma. A arteterapia não avalia técnica nem beleza estética. Um rabisco, uma mancha de tinta ou uma colagem simples podem ser tão significativos quanto uma obra elaborada.

O que importa não é a obra pronta, mas o que se transforma enquanto ela é criada.

Uma tradição também brasileira

No Brasil, a psiquiatra Nise da Silveira foi pioneira no uso da arte no cuidado em saúde mental, mostrando como a expressão criativa pode revelar e reorganizar o mundo interno. Desde 2017, a arteterapia também faz parte das Práticas Integrativas e Complementares oferecidas pelo SUS.

Perguntas frequentes

Arteterapia substitui a psicoterapia?

No meu trabalho, as práticas em arteterapia são integradas ao acompanhamento psicológico, como mais um recurso de expressão e elaboração — e não como algo separado.

A arteterapia pode ser feita online?

Sim, com algumas adaptações: a pessoa usa materiais simples que tem em casa e compartilha a criação pela câmera.

Quanto tempo dura o processo?

Varia de acordo com os objetivos de cada pessoa. Algumas buscam um trabalho pontual; outras incorporam a arte a um processo terapêutico mais longo.


Criar é uma forma de se escutar. Às vezes, é desenhando, pintando ou recortando que encontramos o próximo passo.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação psicológica individual. Em situação de crise, ligue 188 (CVV), gratuito e 24 horas.

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