Quem é pai ou mãe hoje sabe: educar filhos na era digital é um grande desafio. O mundo mudou muito rápido — e, muitas vezes, nossos filhos conhecem melhor o universo virtual do que nós. A série britânica *Adolescência*, sucesso na Netflix, escancara essas dificuldades e nos convida a refletir sobre a nossa presença na vida dos filhos.
Segundo a teoria da Disciplina Positiva podemos aprender com a série se você deseja criar filhos emocionalmente saudáveis e conectados. Portanto:
1. Relembre o que é ser adolescente, mas não compare, é outra época!
Às vezes esquecemos como foi viver essa fase: cheia de cobranças, inseguranças e transformações. O adolescente busca entender quem é, onde pertence, e precisa lidar com uma montanha-russa emocional.
Eles querem privacidade, valorizam mais os amigos do que a família e, muitas vezes, se sentem invencíveis. Por isso, cometem erros, testam limites e tomam decisões impulsivas.
Lembrar disso nos ajuda a agir com mais empatia e paciência, reconhecendo que a rebeldia nem sempre é desrespeito ou deve ser levada para o pessoal— é parte do crescimento.
2. Entenda o impacto do uso das telas
Muitos pais e mães cresceram num tempo sem internet ou analógico. Por isso, é fácil subestimar o impacto que o uso excessivo de telas tem na vida dos adolescentes.
Pesquisas mostram que o vício em redes sociais está ligado ao aumento da ansiedade, depressão e até automutilação entre jovens. E, na série, vemos pais que acreditavam que o filho estava “seguro no quarto” — sem perceber o perigo do mundo virtual.
Duas lições importantes aqui:
* Estimule brincadeiras reais, ao ar livre, desde cedo — experiências que ensinam empatia e habilidades sociais.
* Supervisione o uso das redes sociais com carinho e responsabilidade. Saber com quem e o que seus filhos veem não é invasão de privacidade, é cuidado.
3. Conheça seus filhos de verdade
Adolescentes não são “aborrecentes” — são seres humanos em busca de pertencimento e importância. Todos nós precisamos sentir que somos amados, ouvidos e valorizados.
Quando o adolescente não encontra isso em casa, pode buscar esse acolhimento em lugares inseguros. Por isso, é tão importante ouvir com atenção genuína e mostrar interesse pela vida deles. Muitas vezes, nossos filhos nos dão sinais de que algo não vai bem. Estar presente — de corpo e alma — é o que permite perceber e agir a tempo.
4. Menos culpa, mais conexão
No fim da série, os pais se culpam um pouco pelo que aconteceu. Mas a grande lição não é sobre culpa — é sobre consciência.
Ser pai ou mãe é um aprendizado constante, e o que nossos filhos mais precisam é de exemplo, não de perfeição.
Educamos melhor quando nos comunicamos com empatia, quando mostramos firmeza com gentileza, quando colocamos limites com amor.
É essa conexão verdadeira que sustenta o relacionamento e ajuda a atravessar os anos turbulentos da adolescência.
Não existe receita mágica para criar filhos perfeitos. Mas podemos ser pais e mães conscientes, presentes e amorosos.
5. Equilíbrio como meta
Podemos aprender sobre desenvolvimento, exercitar a escuta e buscar equilíbrio entre autoridade e afeto, sem ser permissivo, mas compassivo.
E não só o equilíbrio no papel de pai ou mãe, buscar ser o equilíbrio que seu filho está precisando. Lembre-se que aprendermos por imitação desde crianças, e os filhos estão observando e reproduzindo. Seja coerente.
Assistir à série *Adolescência* pode ser um bom ponto de partida. Avalie seu papel na educação do seu filho e pergunte-se: qual tipo de filho quero deixar para o mundo? Estou no caminho responsável ou preciso ajustar? Veja primeiro sozinho(a), e depois, se achar adequado, assista junto com seu filho — para abrir conversas sinceras sobre o que ele vive, sente e teme.
No fim, tudo se resume a menos controle e cobrança e mais presença e conexão. E não menos importante vou deixar algumas dicas, utilize sempre que puder o bom senso na hora de falar, local e quando, faça uso do bom humor e seja leve, porquê acredite, essa fase é ainda mais difícil para seu adolescente pensando nos contextos de mudanças físicas, hormonais, emocionais e sociais.
“Uma das maneiras de se tornar um pai eficaz – ou melhor, um ser humano efetivo – é entender as percepções das outras pessoas e ser capaz de entrar em seu mundo”. Jane Nelsen
Conte comigo!
Com carinho,
Danielle